Fragmento do livro A cidade e as Serras - Eça de Queirós (parte 2)
" O burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado - e contra ele são impotentes os prantos dos Humanitários, os raciocínios dos Lógicos, as bombas dos Anarquistas. Para amolecer tão duro granito só uma doçura divina. Eis pois esperança da terra novamente posta num Messias!... Um decerto desceu outrora dos grandes céus; e, para mostrar bem que mandado trazia, penetrou mansamente no mundo pela porta dum curral. Mas a sua passagem entre os homens foi tão curta! Um meigo sermão numa montanha, ao fim duma tarde meiga; uma repreensão moderada aos Fariseus que então redigiam o Boulevard; algumas vergastadas nos Efrains vendilhões; e logo, através da porta da morte, a fuga radiosa para o paraíso! Esse adorável filho de Deus teve demasiada pressa em recolher a casa de seu Pai!
[...] Assim tem de ser recomeçada a obra da Redenção.
Comentário: Embora esta seja uma obra de ficção, seria bom lembrar que segundo a visão cristã reformada, e esta faz parte da minha cosmovisão, esta obra de redenção que Cristo veio fazer no mundo não foi uma Reforma social, embora quando a obra da Redenção alcança alguém de certa forma respingue de forma proveitosa na sociedade. Ex: o beberrão deixa de beber, e agora a família passa a ter tranquilidade, o preguiçoso e o que roubava passa a trabalhar. Porém, é preciso fazer justiça a literatura judaico-cristã (Bíblia), pois quem a lê e nela crê como Palavra de Deus, entende que esta Redenção, é a Redenço de seu Pecado através da graça de Deus e o prêmio da vida eterna e não somente como uma redenção política e social somente, como este texto ao meu ver, parece nos dizer.
Euline Almeida
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